sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

É preciso perder-se, para se encontrar...

...e isso é sempre, não é 'ás vezes', nem 'na maioria das vezes', é SEMPRE!
Precisamos caminhar sobre as pedras mais pontiagudas para, enfim,
avistarmos o gramado ao longe.

Há muito deixei de lado minhas aspirações e vislumbres, minhas personagens e paisagens...
Meus outros mundos ficaram na lembrança, mas eu realmente nem me importava mais
Esqueci-me de sonhar, de me emocionar, meus olhos não brilham faz tempos...
Mesmo quando ouço minhas canções de vitória ou os filmes de superação,
não é a mesma coisa que antes... como se estivesse quebrado internamente...

Perdi-me por meses...
Perdi-me na tentativa vã de encontrar respostas das quais eu já sabia
ou ainda por olhares que eu já sabia serem vagos, através de mim...
Perdi-me por experimentações, pretensões, falsas motivações...
Ainda que ciente desse desvio de trajeto, segui pelas noites e ecos
de um sonho tumultuoso em meio ao cotidiano fracassado deste período

Ninguém realmente se importa com a música que toca lá ao longe
Ninguém realmente se interessa pelos detalhes escondidos sob olhares
Mas meu ouvidos sabem o que acontece, e meus olhos conseguem sentir

Foi preciso eu me perder para me reencontrar e de uma chama compreender
o quanto faltava para a minha fogueira se tornar sagrada...
Há um tempo atrás eu não me importaria, com as palavras que sairiam por aqui
ou pelas proclamações que vez ou outra acontecem entre copos e cigarros
O meu inconsciente busca pela luz, e de alguma maneira ela chegaria...
Um hallelujah, um amanhecer, um pensamento, um filme.

Não é crime nem pecado você olhar em outras direções
Não é crime nem pecado você querer seguir por outros caminhos
Não é errado você sentir outras emoções...

Foi preciso eu me perder em uma noite qualquer
para poder contemplar a luz de um novo palco.





sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Setembro Que Me Guarde

Outra noite que não durmo bem, como sempre eu não adormeci
Estou caindo nessa comemoração de um outro setembro
Não sinto minhas antigas angustias ao meu redor
Mas esses dias se parecem com os mesmos assustadores dias (de antes)
Onde estão seus pais agora? Meu doce amigo
As noites estão curtas demais para eu sonhar com o futuro
Nenhuma novidade aparece com as notícias da taça de vinho
Mensagens de texto e atualizações desconcertantes como o calor
Eu continuo sendo seu observador
Eu continuo remoendo antigas lutas internas
Não há borboletas...
Digo a mim mesmo que esse ritmo acabará na próxima temporada
As mentiras me invadem as páginas em branco de minha cabeça
Não sinto confiança nessas fotografias, tão novas, tão felizes
Eu não me recordo muito bem de já ter sentido esse vazio
(ou seria o mesmo vazio de sempre tentando me enganar?)
São sombras que me rodeiam invisíveis aos olhos fracos
Tormentos que ecoam em meus ouvidos cansados de lamentos
Onde estão seus pais agora? Meu doce amigo
As pessoas não são capazes de entender estando fora da caverna
Todos querem ir onde não exista as lembranças
Todos querem ir onde não exista as saudades
Belos garotos, gentis que se afastam em um momento qualquer
Mandaram-me para o hospital no qual eu já havia escapado
Os anos passam e as conversas são sempre as mesmas na prisão
Crimes mentais e os copos sempre cheios pela madrugada
Afloram tatuagens e desejos de um outro amanhecer
Não há escapatória e eu continuo a suar pelo caminho
Ninguém compreende a dificuldade que tenho para levantar
Existem amarras invisíveis que me prendem como elásticos
E seus ruídos silenciosos pelas paredes do meu querto
Aquelas velhas lembranças que me perseguem no escuro...




segunda-feira, 20 de julho de 2015

Sense8 - Uma análise

Não há laços que nos unam.
Não há conexões que nos façam ser/ver além de nós mesmos.

A genial série lançada este ano pela Netflix, Sense8, é um reflexo utópico e um tanto onírico da vida desconectada que vivemos nestes tempos. Idealizada e dirigida pelos irmãos Wachowski (trilogia Matrix), a trama conta a história de oito pessoas espalhadas pelo mundo que aos poucos vão descobrindo que estão ligados psiquicamente. Diferentes culturas e costumes, que de repente, percebem-se trocando experiências com desconhecidos até então. Os indivíduos começam a experimentar as sensações uns dos outros, se veem, se sentem, sentem o ambiente em que o outro se encontra...

Destoando e ao mesmo tempo uma maneira de atentar que nós humanos não somos uma ilha, a série mostra que nossas ações e escolhas podem afetar outros que estão ao nosso redor. Nossas sentimentos mais secretos, nossas emoções públicas, nossas atitudes ou nossas recusas, tudo irá se propagar e refletir em nós mesmo. Não estamos sós neste mundo e somos tão deslocados e isolados quanto pensamos.

Isso tudo é na ficção saída da mente dos irmãos W. mas e na vida real? O que acontece com as pessoas? Por que não conexões tão fortes a ponto de unir as pessoas em pensamento e sentimentos mútuos? Talvez porque vivemos em tempo onde tudo é tão 'globalizado' que nos tornamos impotentes de criar laços verdadeiramente duradouros, pois tudo é imediato, rápido e mutável. As pessoas vivem como pressa, correndo para algum lugar qualquer, ainda que não seja importante. Compromissos diários, atividades diárias, sem ao menos parar para olhar nos olhos dos outros... Não há laços que nos unam!

Todos buscamos um outro para que possamos ter paz, procuramos nos outros a paz e a certeza de que as coisas irão ser boas, mas nem ao menos sabemos o que queremos, seria uma busca vã por algo que não entendemos? Ou apenas uma placebo para que possamos continuar vivos, ainda que nos enganando propositalmente? Não temos amigos, não temos amores, quiçá temos familiares... Estamos bloqueados e nos dividir e aceitar uma aproximação com o outro, ainda com toda tecnologia que nos deixa ligados 24/7 com o mundo todo, não há conexões que nos façam ser/ver além de nós mesmos!

Talvez a série Sense8 seja a primeira deste estilo, é uma sci-fi com uma 'pegada' sentimentalista que cria esse drama contemporâneo que está fascinando milhões pelo mundo. A cada episódio em que a história vai se aprofundando nos oito 'sensates' protagonistas e suas viagens mentais, vamos percebendo o quão somos frágeis em nossa singularidade ao mesmo tempo que somos incompletos daquilo que nos falta. Uma trilha sonora impressionante com hits e sons que nos tocam a todos, além da fotografia e das cenas impecáveis que nos faz estar ali junto com os oito, como se fôssemos um deles. A série nos faz querer ser um sensate, ser um grupo.

Chegará o dia em que estaremos ligados em outros a ponto de senti-los? Chegaremos ao tempo em que não seremos um, seremos mais? Um dia que não serei só eu, serei nós!?

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Dia 31 - Fim

Eu me rendi da última vez
Fazendo tudo  o que um dia eu prometi não repetir
As luzes se apagaram e eu perdi minha liberdade
Estive ao seu lado enquanto você não estava ao meu
Disse para você aquilo que eu gostaria de ouvir
Mas houve silêncio...
Mas foi outra experiência guardada no peito
Não precisava terminar, mas o fim chegou sem demora
E ainda que eu não entenda, nem acredite
Agradeço por um dia ter cruzado seu caminho
Nesses dias de aceitação, negação e absolvição própria
Pude sentir as dores reais de quem compreende essa vida
Os mistérios do mundo não são misteriosos para mim
E diferente de você eu sei o que acontecerá no futuro

Então esse é o fim...

terça-feira, 14 de julho de 2015

Dia 30 - Armado e protegido

Mais uma vez (este é o começo)
Das peças quebradas surge o novo
A ave caída se ergue aos céus
O crepúsculo dá origem a noite estrelada

Mais uma vez (este é o começo)
Os olhos antes fechados
vislumbram um novo amanhecer
As lágrimas secaram (e agora somos livres)

Mais uma vez (este é o começo)
As orações ecoam pelo quarto
E agora a revolução faz sentido
o caminho é novo e instigante

Eu permaneci aqui desde que você me deixou
Buscando por outra pele e outro olhar
Agora é a vez dos esquecidos
E ninguém pode me impedir de voar

Mais uma vez (este é o começo)
Outros céus para alcançar
Armado e protegido contra tudo
Armado e protegido contra você
Estive cansado por longos dias de batalha interna
Mas agora abaixei minhas armas
e estou preparado para me defender...
Armado e protegido para a vida

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Dia 29 - A golpes de punhais

Não mais direi palavras raras
para que o vento as carregue pata longe
Esvazio-me delas a cada estação
restando algumas poucas para me servir
Não posso ser tão tolo
a ponto de me matar aos poucos
A cada luar um punhal na alma
A cada olhar um punhal no coração

Não me diga suas mentiras
eu não vou mais acreditar nelas
mesmo que pareçam tão verdadeiras
Não posso permitir
passar-me por tolo na frente do bar
na frente de meus pares
A cada cigarro um punhal no peito
A cada copo um punhal na dignidade

Não aceitarei menos que o tudo
para que eu possa sentir a verdade
e não desejar o fim do túnel...

domingo, 12 de julho de 2015

Dia 28 - Maktub

Se eu tiver que te salvar
no meio dessa multidão de problemas
como vou saber (verdadeiramente)
o momento de me aproximar?

As pessoas desconhecem
todo o caminho que devemos percorrer

As pessoas não compreendem
que certas coisas estão escritas...

Se eu tiver que correr
e te alcançar no último momento
dê-me a sua mão (eu te protejo)
não o deixarei mais sozinho na chuva

As pessoas não enxergam
aquilo que ainda está por vir

As pessoas não sentem
o que é verdadeiro, apenas o momento

Se eu tiver que esperar
não terei pressa
Vou acalmar meu espírito
e o que tiver que ser vai ser
desta vez ou em outra...
Porque tudo está escrito.

sábado, 11 de julho de 2015

Dia 27 - Caminhos

Sobre a palma da minha mão a rosa
de quatro caminhos a se escolher
Sob a minha mão as areias
que já foram perdidas no tempo
A dança da vida termina
com as chuvas de estrelas
nesta noite esquecida por todos
Nosso destino ainda guardado
será revelado com a primeira luz
A decisão deve ser tomada
antes que o evento revele
novamente o sol obscuro
O horizonte que se forma em cores
e oportunidades súbitas
parece tão assustador quanto um grito
ecoando na mais profunda caverna
Sobre a palma da minha mão a faca
uma opção a refletir nesta hora
Sob a minha mão o medo do amanhã
que impede o ato de adiantar o fim

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Dia 26 - Outra canção

O que vai mudar entre nós
já mudou para pior
para piorar minha situação...
O que vai mudar entre nós
talvez nada mude com você
mas talvez comigo tudo normal...
Ou nada irá mudar
não posso fazer o contrário
dessa situação...
O que permanecer irá mudar
em outro dia, outra noite
em outra canção mental...

O que vai mudar para nós
já mudou você me trocou
e eu mudei de direção...
O que irá mudar nesses dias frios
mudarão as estações
enquanto eu não me mudar...
Ou esse cara aqui irá mudar
e você não saberá
pois mudou de opinião...
Olha só o que mudar
não mudará o fato de eu me entregar
e sempre dizer toda a verdade...

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Dia 25 - Apesar de viver assim...

Eu não procuro pela escuridão
apesar de viver nela
Eu não procuro pelo silêncio
apenas fico melhor nele
Eu não procuro a solidão
mas é assim que sou completo

Eu não busco uma fortaleza
ainda que eu precise de cuidados
Eu não desejo o mal aos outros
apenas o melhor para mim
Eu não procuro por companhia
mas quando os outros aparecem
o caos se instala na minha vida...

Eu não procuro pela morte
apesar de não fugir dela
Eu não procuro pela sofreguidão
apenas aceito-a
Eu não procuro um amor
talvez eu nem acredite nele

Eu não busco pela paz eterna
ainda que eu sonhe com ela
Eu não desejo o impossível
mas quase tudo o é
Eu não procuro por companhia
mas quando estou sozinho
isso sempre me vem a mente...

Eu não procuro o amor da minha vida
apesar de dizerem o contrário...

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Dia 24 - Guerra interna

Depois de todo o tempo em que fiquei calado
você apareceu para me intimidar
e mexer com minha boca suja!!!
Eu estava em paz, no meu canto, quieto
até que você apareceu para me bagunçar
Fez-me libertar coisas que estavam guardadas
a sete chaves para depois desaparecer...
No que você estava pensando
ouvir tudo o que eu disse e depois partir?
Oh, chega de passar por toda essa história
repetidas vezes a cada dois ou três anos
Eu não te culpo, porque apesar de tudo
você não estava totalmente aqui...
Ainda que eu seja sábio e cuidadoso
Ninguém consegue se prender muito
quando as coisas se tornam vermelhas
Eu lutei e não desisti
Você não quis parar e me enganou legal
Fez-me revelar meus segredos mais escuros
para depois desaparecer na noite...
Não fui o suficiente para você
que roubou minhas noite e meus sonhos
Não fui o ideal para você
que me escondia pelas sombras
das suas irmãs e de todos os outros...
Ainda que eu seja sábio e cuidadoso
Ninguém consegue se prender muito
quando as coisas se tornam vermelhas
Eu estava forte, eu estava concentrato
até você aparecer de olhos verdes e me derrubar
E no final eu vi que não nada aconteceu...
Mais forte preciso ser
Mais sábio preciso me tornar
Para não cair nos encantos de outro daqui alguns anos...
Mais rápido preciso ser
Mais corajoso preciso me tornar
Para não viver essa guerra interna novamente!

terça-feira, 7 de julho de 2015

Dia 23 - Limpando as feridas

Tenho vivido muito tempo
desperdiçando minhas horas
incontáveis momentos perdidos...
São tantas as pessoas que aparecem e saem
tão rápido, na velocidade de uma tempestade
Devastadoras...
Chegam silenciosamente e destroem tudo
Causam o caos e partem deixando um rastro
de memórias e sentimentos confusos...

Tenho vivido muitos tempo
apagando as coisas do passado
mais do que escrevendo novas histórias...
São diversas páginas que não devem
ser lembradas ou as feridas voltam a doer
Cicatrizes...
Tenho tanto o que tratar, que parecem vidas
acumuladas em uma só
experiências e erros cometidos e aceitos...  

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Dia 22 - Loucura

Cada sombra pela noite
Cada rosto na multidão
As cores se apagam neste momento
E eu sigo pelo pior caminho
Cada sussurro em meu ouvido
sem ninguém estar por perto
Cada sensação de proximidade
sozinho em meu quarto escuro
As chances de eu estar enlouquecendo
aumentam a cada sonho acordado...

Cada pensamento que vai de encontro
sem encontrar um destino certo
Cada olhar vago que procura um horizonte
perdendo-se pelas angustias da vida

Cada grito preso
Cada sonho interrompido
Cada lágrima caída
Eu enlouqueço um pouco mais...

domingo, 5 de julho de 2015

Dia 21 - Solidão

A minha vida toda
tenho buscado por mim mesmo...
Procurando-me em outras pessoas
em outros lugares (de desespero)
Não tenho alma, não tenho aura...
Estou vivo por um ponto de vista positivo
Estou morto desde o dia em que nasci!

A minha vida toda
tentando entender essa solidão...
maior que qualquer outro sentimento
maior que qualquer outra pessoa

A carência de não ter com quem dividir
momentos felizes e outros nem tanto
Isso é compreensível!
A saudade de quem já partiu daqui
para outras aventuras e outras histórias
Isso é compreensível!
A circunstância de se estar cercado por
dezenas de pessoas e ainda não sentir
Isso é compreensível!

A minha vida toda
tentando entender essa maldição...
Sentir-se sozinho, sentir-se vazio!
Solidão,
maior que qualquer outro sentimento
maior que qualquer outra pessoa

sábado, 4 de julho de 2015

Dia 20 - Meu caos

Amanheceu,
e eu ainda não pude descansar (é dia)
Toda a noite em claro com milhões de pensamentos
sem nexos e sem meu controle (atormentando-me)
Eu estive em choque por horas
tentando superar toda essa desilusão
longe de meu corpo, longe de minha mente
(você causou o caos)
Uma lembrança e diversos fantasmas
Há anos eu estive quieto
longe das pessoas, me isolando
Eu pensava estar seguro e que já não haveria mais o que temer
até acontecer e toda essa tortura voltar novamente
(você causou o caos)
O que vier daqui para frente não será menos
do que um dia já senti... não mudarei e não mentirei...
(tudo que um dia eu disse...)
As palavras que saem de mim são as únicas
verdades que conheço...
Não há amigo para eu chamar de meu
Não há amor para eu entregar o meu
Estou parecendo o meu eu de dez anos atrás
a vida não foi boa (e eu estou tão furioso)
Quero por um fim a toda essa bagunça
em que vivo, mas me falta forças...
(você causou o caos)
e arruinou com meus sentidos...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Dia 19 - A Espera

"Pelo tempo que for..."
Minha última mensagem...
Vou esperar você me entender
Vou esperar...
o quanto preciso for
Ainda não sei o por quê
e as noites se passaram rápidas
nenhuma palavra por dias
e eu pensei que tinha superado
Nenhuma lágrima caiu
mas as dores são intensas
Sinto falta daquilo que não tive
Vou esperar...
A distância nada mudou
Nós aprenderemos a continuar
Vou esperar...
No momento certo
a esperança nunca falta.
Vou esperar...
Uma ligação ou uma mensagem
ainda que eu tenha te deletado
"Pelo tempo que for..."  

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Dia 18 - Sonhador

Você não vê a bagunça que está a minha vida?
Você não o que eu escondo de todo o mundo
Eu prefiro o silêncio ao espetáculo
Eu prefiro me isolar ao canhão de luz

Poderia ser pior, sempre pode ser pior...

O quão rápido vamos
Não estamos acostumados a isso
Não estamos vendo o que passa
E eu supostamente não sei o q acontecerá

Você não vê o quanto estou mal
Você não sabe o que são minhas noites
Eu prefiro me esconder a comemorar
Eu prefiro chorar a ser o mentiroso

Poderia ser pior, as vezes ainda é...

Você quer ver tudo? Você quer ver cada parte de mim?
Você quer saber o que eu sei?
Você quer entender das coisas que falo sem parar...

Você quer me ouvir? Você quer me provocar e ainda ficar?
Você quer saber dos meus sonhos?
Você quer me entender e ainda me beijar?

Poderia ser pior,
É sempre pior quando eu estou acordado...


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Dia 17 - Mais um passo

Eu não penso em estar aqui
Eu permaneço imóvel no canto
Eu não pertenço a este lugar
Eu não consigo partir...

Não faço questão de família
Minha família esta dentro da minha cabeça
Do lado de fora deste mundo
Eu não pertenço a este lugar

Eu sinto a vontade preencher meus ossos
Mas permaneço preso a este lugar
As luzes acendem e apagam
Enquanto eu continuo me perguntando
"o que eu faço neste lugar?"

Com um passo de cada vez
eu quero enxergar a saída
Desacelerando...
eu quero enxergar a saída
(ou pelo menos parte dela...)

terça-feira, 30 de junho de 2015

Dia 16 - Méritos

Aceitamos a sorte que achamos merecer
fazemos dela nossa espada e escudo
como em uma batalha em que ela não
será mais necessária...

Aceitamos as palavras que pensamos merecer
usando-as para oração e maldição
daqueles que nos cruzam o caminho
sem que saibam de nossas fraquezas...

Aceitamos a escuridão
tal qual ela nos é apresentada
sem sabermos que  uma pequena chama
será precisa para acabar com a treva
Aceitamos a escuridão
tal qual desejamos e merecemos...

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Dia 15 - Mais uma página

A história em que todos vivemos
mas escrita e de páginas sujas
com ápices de revolta e quietude densas
De origem duvidosa e destino nebuloso
não há certezas de que chegaremos ao fim
a cada página uma nova derrota
Desde a infância os obstáculos chegam
e destroem todo o estranho natural
Dias e noite o mundo que desvela
o lugar mais sombrio e devastador
Nossas histórias já não são contos infantis
você continua a olhar o horizonte 
perdendo as passagens que construimos aqgora
A história que escrevemos
de erros cometidos
repetimos a  cada capítulo...

domingo, 28 de junho de 2015

Dia 14 - Outro Cigarro...

Escolho falar de meus problemas para não sufocar
Escolho escrever os meus medos para não chorar
Escolho caminhar sozinho para não me iludir mais

Outro cigarro me acompanha
pelas ruas sempre iguais
O frio corta o meu rosto como navalhas
Outro cigarro me acompanha
pelos dias insuportáveis de viver
E o frio parece que sempre esteve aqui

Já não sei se tenho pessoas para me ouvir
ou ainda alguém que queria me entender
A vida está em velocidade máxima
e parece não ter freios para desacelerar
Sinto que perdemos todo o tempo que tínhamos,
os sonhos que não realizamos por medos...
Muitas palavras já não existem mais
para que possamos dizê-las...

Outro cigarro me acompanha
pelas noites solitárias
A mente já não faz questão de pensar
Outro cigarro me acompanha
olhando outros rostos sem expressões
Sem pensar... sem querer... sem buscar...

Eu escolho mostrar os meus desejos para
não ser apenas outra cinza pelo chão de pedras...

sábado, 27 de junho de 2015

Dia 13 - Doses de Paciência

Eles dizem para eu não falar
Assim ninguém será testemunha
Ninguém vai me ouvir gritar pelo ares
as palavras secretas de meus sonhos
Você realmente não se importa
Já se passaram doze ou treze dias
E eu me mantenho em Hallelujah.

Sem motivos para sorrir ou esperar
Quando eu passo por ruas conhecidas
é impossível não lembrar
Mas estou quebrado e prefiro não chorar
Em outros tempos eu teria acabado
com tudo o que poderia acontecer
Perdendo-me em pílulas e ilícitos
Mas hoje prefiro estar em Hallelujah.

Os dias são os mesmos e as cores não existem
Eu não procuro por outra aventura
O silêncio me acompanha agora
por onde eu caminho e dentro de meu coração
Apenas mais uma dose de paciência
nada que eu não esteja acostumado
Outra noite de Hallellujah.

Olhando para o este frio céu noturno
Eu não sinto...

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Dia 12 - Estranhos

Estranhos é o que somos?
Seres estranhos uns para os outros
Estranhando suas faces e vícios
Somos estranhos para nós
seremos estranhos para os outros...
Estranhos entre quatro paredes,
estranhos a céu aberto...
Ainda que saibamos quem somos
seres estranhos ao amanhecer
Ainda que saibamos nossos nomes
seremos estranhos amanhã
Estranhos mesmo depois de
nos conhecermos intimamente
Seremos estranhos depois disso...
Um adeus nos tornou estranho!
Estranhos éramos antes da história
e agora que tudo terminou
somos mais estranhos qdo que antes.

Não falo por você, falo por mim
acho que estou enlouquecendo
sinto-me estranho por esses dias
Não falo por você,
que é estranho a mim agora...

Estranhos é o que somos?
Destes dias para além...
Não ver seus olhos e não
ouvis sua voz, fazem de você
um estranho para mim...
Ou serei eu o maior dos estranhos?

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Dia 11 - Como uma onda

Meu querido,
siga seu caminho da melhor maneira que puder, não se preocupe tanto, as coisas não têm essa importância toda, alias tudo é uma questão de ponto de vista. Por muito tempo você esteve dormente, e de repente despertou para uma nova vida, novas aventuras que você pensava que não viveria mais... e tudo isso porque você teimava em se manter escondido. Ai uma noite tudo mudou, então não se lamente agora que a reviravolta aconteceu, continue... Se nada tivesse acontecido você ainda estaria dormente, e aqueles dias de frio na barriga não teriam acontecido. Bom ou ruim, não importam, o importante foi que aconteceu, supere... Não esqueça, nunca se esqueça das coisas boas que viveu, apenas supere, continue... do melhor jeito possível... Sei um dia as coisas serão como você sonha, mas até lá, seja nessa vida ou na outra, viva... Viva daquela maneira que você sabe bem... você conhece as histórias, você conhece as personagens, as reais e as imaginadas... então viva... Deixe as águas desse rio passarem... É difícil dizer todas as palavras que te engasgam, é difícil guardar tudo aquilo que te entope e apenas esperar, mas o que seria do mar se todas as ondas quisessem quebrar na costa no mesmo instante? Meu querido, sorria para si mesmo, as pessoas não se importam... se você não tem motivos, ou não tem com quem compartilhar, crie-os... Faça aquilo que te faz bem, crie seus motivos, bobos ou raros, crie seus parceiros, dos livros ou dos sonhos... não seja sozinho, enquanto esta cercado pelos silêncio e por seus pensamentos sublimes... não seja sozinho, ainda que esteja...


Com amor,
de mim para eu mesmo.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Dia 10 - Recordações

Remexendo as caixas guardadas no alto do armário
Lembranças vão surgindo, lembranças de outras vidas
De tempos mal aproveitados,
quando não existiam piores temores...
Papéis e imagens dos antigos gostos e pessoas
versos e fotografias perdidas no túnel dos séculos
O desconhecido que me tornei
tão distante do que fora antes das tempestades
já não reconhece seu próprio rosto
seus talentos esquecidos e mal resolvidos
seus diálogos e dúvidas não solucionadas
Mistérios da vida, de vidas que se mataram...
O passado deve ser esquecido, mas apenas o ruim
O que permanece na memória
são as loucuras que nos fizeram ser o outro
Peças que se uniram para formar o que sou hoje
Essa viagem que fazemos por toda a vida
possui partes agradáveis e outras nem tanto
não é preciso guardar papeis...
não são precisas caixas empoeiradas...
Basta que lembremos o que foi bom,
e de resto, o lixeiro carrega...

terça-feira, 23 de junho de 2015

Dia 9 - Um novo horizonte se forma

"...and my life still,
Trying to get up that great big hill of hope
For a destination..."

Lá fora a pressa da vida nos faz correr
As horas passam e não olhamos o céu
Não olhamos para nós mesmo
e mal sabemos o que está acontecendo...
Hoje dei um passo além
Novo objetivo para uma nova vida
olhar o mundo com outros olhos
deixar para trás todo o passado... 
Se choro é porque tenho razões
que a própria razão finge não saber
mas no fundo toda forma de sabedoria
é válida para se sentir ligado aos outros
e "o que está acontecendo" deixa de ter
importância quando estamos presos
Quero poder voar
por um dia apenas, ou por todos os dias que virão
Seja lá fora sob a chuva
ou no topo da colina mais alta
com todo o mundo aos seus pés!
Quero gritar a liberdade de se viver sozinho,
sozinho comigo porque me basto
Todo o universo dentro de mim 
em eterna expansão clama por mais e mais...

 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Dia 8 - Noites Sucessivas

É melhor assim
fazer de conta que nada aconteceu
a indiferença traz o esquecimento
e a solidão supera as mágoas
Não temos culpa da vida que levamos
Não temos escolhas
quando as escolhas já estão escritas
É melhor assim
deixemos o tempo nos afastar
para que talvez um dia
possamos nos reencontrar...

Eu vou por outros caminhos
evitando o pensamento que é insistente
Mas a cada noite de sono
perco uma parte da esperança que mantinha
Um passo de cada vez, uma dia de cada vez
Todos me dizem que a vida é bela
bela mas perigosa!
É melhor assim...
Ser ignorado, rechaçado, esquecido enfim...
Sem longas esperas pelos dias se substituirem
sem longas ausências...  

domingo, 21 de junho de 2015

Dia 7 - Dores

A dor que surge nas sombras
perversas e egoístas nesta hora
seriam mais fortes que as outras
que não fogem as trevas?
Tanta dor me acompanhando
que não consigo ver a luz no final
Vejo as nuvens me cercando
como as grades de uma outra prisão

A vida que se esconde nas sombras
triste e a procura de reflexos
seria uma maneira de sobreviver
àquilo que deixou de existir?

As visões que tenho ao crepúsculo
invadem a mente a todo tempo
Cenas de um futuro perdido na névoa
ou de um passado ainda presente...
Tanta dor me fazendo lembrar
que os lados da moeda
são tão distantes quanto dois mundos
Duas vidas em contrapontos...


sábado, 20 de junho de 2015

Dia 6 - Prisão Invisível

Perdendo meus dias
Perdendo meus planos
Perdendo minhas datas
Perdendo minha mente

De olhos fechados
esmagados pelo medo
De mãos amarradas
por medos invisíveis

Não tenho forças para me livrar
dessas paredes...
Estou preso em minha mente
O desespero é inútil, minha voz é inútil
com os passos contatos eu me isolo
já não reconheço a realidade
torno-me ficção em uma vida sem propósito

Meus olhos esmagados pelo medo
ainda que invisíveis, choram...

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Dia 5 - Por que tudo me afeta?

Superar meus medos e seguir em frente
de olhos fechados ou não
apenas continuando sem sentir
O sentir afeta e atrapalha
atrasa e me fere mortalmente
O sentir me afeta e me mascara...

Superar meus vícios e as pessoas
de ouvidos tapados ou não
apenas permanecer sem sentir
Não quero sentir as dores dos outros
seus bloqueios e seus cortes
O sentir me golpeia e me isola...


quinta-feira, 18 de junho de 2015

Dia 4 - Negação

Negar a fraqueza é negar a escuridão
Aceitá-la, é o primeiro passo para vencê-la
Fugir é o mesmo que acreditar
que o fim é o único horizonte a se ver
Quando não mais esperanças escolhemos
o lugar mais escuro e abandonado
para esconder nossas fraquezas
Ainda que eu não saiba minha escolha
a escuridão me cerca de forma protetora
Meu casulo é mais apertado que
o lado de fora de meus olhos...

Eu não sobreviverei se continuar
desejando ter uma arma debaixo do travesseiro

Eu não sobreviverei mais um ano
desejando ter os olhos rasgados e as mãos cortadas

Eu não nego os meus medos
eu os aceito e carrego as dores diariamente
Sofro por aceitar e entender


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Dia 3 - Ajustes e Aceitação

"Everybody wants to rule the world..."

Para que a necessidade de controlar a tudo?
essa gana por poder que nos destrói e nos
reduz a seres hipócritas e reles expectadores
A vida flui!
Enquanto nossa existência se torna vã
As experiências passam diante de nós
enquanto observamos os outros...

Ajustando meus ponteiros
ordenando meus pensamentos
e aceitando as coisas como são!  

terça-feira, 16 de junho de 2015

Dia 2 - Equilíbrio

"a prova de que valeu a pena
ter conhecido uma pessoa na vida,
é quando você lembra dela e sorri."
assim tento seguir
um dia de cada vez
equilibrando-me na beira do precipício
em que minha vida estacionou
desde pequenho
passando por fases
chegando ao presente
ainda consigo sentir o cheiro das lágrimas
dos anos passados...
ainda consigo sentir a dor nos olhos...

mantenho-me em constante equilíbrio
entre os dois lados de mim
entre os vários lados do mundo
na escuridão da noite sou silêncio
na luz da manhã sou caos
entre idas e vindas perco-me para esquecer
e reencontro-me depois para adormecer
...
 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Dia 1 - Início

Tentando iniciar uma nova jornada
Tentando me esquecer de dias felizes
que se tornaram dias vazios
Tentando recomeçar de um novo zero

O primeiro passo é sempre o mais difícil
Estou a seis meses sem medicamento
Aguentando duramente os dias que se seguem
Sangrando e chorando a cada amanhecer

Não queria passar por isso, mas as surpresas
não escolhem data nem estação
Elas surgem simplesmente
e com elas a decepção, o medo e o vazio

Tentando me afastar
minha conta do Facebook foi desativada
Tentando me manter vivo
minha cabeça mergulha nos livros

Um homem triste eu sempre serei
por saber que a felicidade é algo ilusório...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Oito Horas

Um sonho,
outra vida em paralelo...
Tudo começou com uma tarde de encontros e reencontros no que parecia ser a casa de uma amiga (alguém que eu não conheço em vida) amplo quintal com árvores um edicula e uma casa simples, porem espaçosa. E as pessoas foram chegando. De todos os tempos e espaços, de todos os níveis e tribos... Os grupo de amigos se relacionavam como se nos conhecêssemos há anos... Casais, irmãos, primos, trios, turmas, bandas... Ah as bandas... à principio me é vago, mas no fim pude perceber que haviam várias bandas alternativas além das 'rockeiras', e vez ou outra acontecia, assim como um happening, eles cantavam... 'performavam-se'! Os cômodos da residência se transfundiram e já não pareciam com uma casa, e sim como um locar de reunião de amigos, conversas e alegrias, músicas e fotografias... Não me lembro quem foi ela, mas alguma loura 'louca' me deu uma câmera na mão e fui o responsável pelos registros 'da festa', o que fiz a noite toda (ou quase). Por vezes me encontrava agarrado com alguém em algum lugar... Pessoas... ah as pessoas... todas elas tão estranhas e ao mesmo tempo tão familiares, pessoas que eu não conheço, presentes nesse sonho surreal. Todos eles, rockers, junkies, cults, clubbers, cada um com sua particularidade e ao mesmo tempo tão sociáveis e tão receptivos... Não havia disputas nem dogmas, não havia preconceitos nem patifarias, não havia limites para aquela noite!

Os grupos se comportavam como se aquela tarde/noite fosse o resumo de suas vidas, como se naquele dia eles nascessem e morressem... Uma garota era a dona da casa, penso que a mesma loura que me encarregou de fotografar a festa. Poucas vezes a vi, ora recostada em uma parede conversando com dois ou três, ora se beijando com um garoto... Haviam umas garotas familiares, mas que eu não reconhecia, mesmo tendo um sentimento de amizade longínquo. Haviam uns garotos interessantes, outros fortes amigos, alguns conhecidos (desconhecidos), e outros que apareceram como companhia de alguém. De todas as pessoas dessa festa o jovem casal era o que mais mexia comigo. Não sei ao certo o que representavam: ela me despertava um amor incondicional como se fôssemos almas afins (que eu penso ser a verdade) mas ao mesmo tempo ela refletia aquilo que eu era, como se fôssemos a mesma pessoa dividida em dois corpos... confuso! Já ele formava o par perfeito com ela, eram lindos juntos, completos! E por isso ele me afetou tal qual a afetava... Mais confuso ainda!..

Lembro-me de algumas outras pessoas, mas brevemente recorrentes, como uma mulher no começo da tarde, talvez a mãe de alguma garota de lá, ou ainda uma guru da roda de amigos, aparentava ser um pouco mais velha, porém se relacionava bem com todos... E ainda (talvez) a mãe da garota da casa (ou a própria dona da casa) não sei ao certo. Ainda alguns participantes da festa que surgiam e fluíam... em certos momentos, com certas atitudes e ações no decorrer da festa! Toda a 'festa' aconteceu entre uma tarde e uma noite, chegando à madrugada e com o dia quase amanhecendo eu despertei.

Lembro-me vagamente de alguns rostos, mas minha lembrança é maior quanto às essências de  cada uma das pessoas ali presente. Essas não são reflexos alternados de pessoas que conheço no mundo real, mas sim outras pessoas que conheço de um outro lugar... talvez... Sei que não as encontrarei neste mundo, nem nesta vida... mas de alguma forma as encontrarei se isso tiver que acontecer... em outra vida, outro mundo, outra viagem transcendente!

Junior Bittencourt, 16 de fevereiro de 2015