quinta-feira, 25 de agosto de 2016

237/366 - Comigo mesmo

Andando pelas ruas, sozinho
Te vi passar
formando par com outra sombra

Disseram-me que seu sorriso já
possui um outro acompanhante
Seus olhos agora se refletem em outros olhos
E eu estou bem aqui, de pé
Onde ninguém pode me ver
Sozinho, com minhas nuvens

Não sou eu te esperando no café
Estou do outro lado da rua
sufocando meus próprios sonhos
(porque ninguém me vê?)
Ouvi seus risos por aí
misturado com outros risos

E eu estou bem aqui, de pé
Onde ninguém pode me ver
Sozinho, com minhas nuvens

Espero que não se importe
Ver-te ao longe, te imaginar ao longe



domingo, 7 de agosto de 2016

219/366 - Outra vez

Eu queria poder subir em um ônibus e
partir para algum lugar totalmente novo
Eu queria poder andar por aí e
conhecer uma pessoa totalmente nova

Eu queria dizer adeus mas você já ouviu isso antes
Eu queria te beijar mas a despedida seria falsa demais
Eu queria gritar mas isso não iria adiantar nada
Eu queria parar de chorar mas estaria mentindo

Queria outro amor mas é tarde demais
Queria outra chuva no rosto, outra tempestade de ideias
Queria outro ideal e uma outra aventura
Queria parar de andar por aí em vão

Eu queria dizer as minhas desculpas e
isso seria o máximo que conseguiria agora
Eu queria brigar no meio da rua no centro da cidade e
parecer que me importo com as escolhas suas

mas isso seria piegas...

domingo, 31 de julho de 2016

212/366 - Apenas um breve momento

Quando eu encontrei o que eu não procurava
Senti-me confuso e não soube reagir...

Agora eu sei
Que aquilo que eu conheci era real
E eu só precisava de um breve momento

Um pouquinho de uma fragrância conhecida
Um pouquinho de uma lembrança calorosa
Agora eu sei que eu só precisava de um pouquinho
Um momento de um abraço verdadeiro
Um momento de olhar verdadeiro

Agora eu sei
Que aquilo que procurei não estava próximo a mim
Aquilo que um dia quis me parecia bobo
Aquilo era tudo o que eu teria
Um pouquinho do paraíso na terra
Um pouquinho da companhia sua
Agora eu sei que eu tive a chance...
e a perdi

sábado, 16 de julho de 2016

198/366 - Eles não nos querem

Por mais que eu peça, ou chore eles não nos quererão!
Por mais que belas palavras apareçam
Tudo o que temos a dizer é em vão
Por horas a fio iremos gritar e marchar
Tudo será no um fervor por um momento
E quando tudo isso acabar
A vergonha irá escorrer por nossas faces
E tudo o que temos a dizer se extinguirá
Por mais que eu peça e suplique
As barreiras nunca cairão!
Por mais que seja o suficiente toda essa luta
São apenas palavras em uma tempestade
Eles não nos querem e não nos ouvirão
Tal qual um jogo de balões pelo ar
Caminhamos como baratas perdidas no pó
Não há tempo para decidirmos ou correr
Não há nomes para chamarmos...

quarta-feira, 29 de junho de 2016

180/366 - Sobre papeis e estrelas

Sobre os dias que se arrastam
Sobre a mesa cheia de planos
Sobre mim (nada consta)
Sobre os planos já não sei...

Amanhã
É um outro dia para se pensar
Sobreviver
A essa luta enquanto eu respirar
Sobre hoje já não há lágrimas

O quão perto eu estou de me perder
Nesta noite
Nesta hora
O quão perto estou de desaparecer...

Sobre os dias sem graça
Sob minha pele, chamas
Sobre os olhares ausentes
Sobre você nada existe...

Amanhã
É uma outra dor para sentir
Esquecer
E esperar a noite surgir
Sobre meus ombros todas as dores...

...

domingo, 29 de maio de 2016

149/366 - Ocupado em Morrer

Tão ocupado em viver
que deixou os seus se perderem nas sombras

Tão ocupado em viver
que deixou as pessoas virarem estatuetas no jardim

Tão ocupado em viver
nem ao menos viu o pôr do sol
não sentiu o vento do crepúsculo

Tão ocupado em viver
que deixou de conhecer o amor

Tão ocupado em viver
que morreu
sem saber o que realmente era
viver...

sábado, 28 de maio de 2016

148/366 - Porque você não explode minha cabeça?

Palavras vazias
Culpa em comprimidos
Mostre-me o sacrifício
Olhos vermelhos
e esse jogo de gato e rato
Estou com dores
E tudo mais está morrendo
(não sinto)
As lágrimas caem
neste chão imundo
Sujeiras pelo vento
Onde estão todos?
onde está a emoção?
Estou surtando
Doente de emoções
(e tudo mais está morrendo)
Claramente
nesta noite é o fim
Levante-se
(entregue-se)
Basta desse silêncio
A casa está em ruínas
Ninguém lamenta por você
Céu vermelho como seus olhos
E meus sentimentos
acabaram com o tempo
Levante-se (entregue-se)
Sofreremos muito mais
pela madrugada...
e pelas horas mortas...