sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

É preciso perder-se, para se encontrar...

...e isso é sempre, não é 'ás vezes', nem 'na maioria das vezes', é SEMPRE!
Precisamos caminhar sobre as pedras mais pontiagudas para, enfim,
avistarmos o gramado ao longe.

Há muito deixei de lado minhas aspirações e vislumbres, minhas personagens e paisagens...
Meus outros mundos ficaram na lembrança, mas eu realmente nem me importava mais
Esqueci-me de sonhar, de me emocionar, meus olhos não brilham faz tempos...
Mesmo quando ouço minhas canções de vitória ou os filmes de superação,
não é a mesma coisa que antes... como se estivesse quebrado internamente...

Perdi-me por meses...
Perdi-me na tentativa vã de encontrar respostas das quais eu já sabia
ou ainda por olhares que eu já sabia serem vagos, através de mim...
Perdi-me por experimentações, pretensões, falsas motivações...
Ainda que ciente desse desvio de trajeto, segui pelas noites e ecos
de um sonho tumultuoso em meio ao cotidiano fracassado deste período

Ninguém realmente se importa com a música que toca lá ao longe
Ninguém realmente se interessa pelos detalhes escondidos sob olhares
Mas meu ouvidos sabem o que acontece, e meus olhos conseguem sentir

Foi preciso eu me perder para me reencontrar e de uma chama compreender
o quanto faltava para a minha fogueira se tornar sagrada...
Há um tempo atrás eu não me importaria, com as palavras que sairiam por aqui
ou pelas proclamações que vez ou outra acontecem entre copos e cigarros
O meu inconsciente busca pela luz, e de alguma maneira ela chegaria...
Um hallelujah, um amanhecer, um pensamento, um filme.

Não é crime nem pecado você olhar em outras direções
Não é crime nem pecado você querer seguir por outros caminhos
Não é errado você sentir outras emoções...

Foi preciso eu me perder em uma noite qualquer
para poder contemplar a luz de um novo palco.





sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Setembro Que Me Guarde

Outra noite que não durmo bem, como sempre eu não adormeci
Estou caindo nessa comemoração de um outro setembro
Não sinto minhas antigas angustias ao meu redor
Mas esses dias se parecem com os mesmos assustadores dias (de antes)
Onde estão seus pais agora? Meu doce amigo
As noites estão curtas demais para eu sonhar com o futuro
Nenhuma novidade aparece com as notícias da taça de vinho
Mensagens de texto e atualizações desconcertantes como o calor
Eu continuo sendo seu observador
Eu continuo remoendo antigas lutas internas
Não há borboletas...
Digo a mim mesmo que esse ritmo acabará na próxima temporada
As mentiras me invadem as páginas em branco de minha cabeça
Não sinto confiança nessas fotografias, tão novas, tão felizes
Eu não me recordo muito bem de já ter sentido esse vazio
(ou seria o mesmo vazio de sempre tentando me enganar?)
São sombras que me rodeiam invisíveis aos olhos fracos
Tormentos que ecoam em meus ouvidos cansados de lamentos
Onde estão seus pais agora? Meu doce amigo
As pessoas não são capazes de entender estando fora da caverna
Todos querem ir onde não exista as lembranças
Todos querem ir onde não exista as saudades
Belos garotos, gentis que se afastam em um momento qualquer
Mandaram-me para o hospital no qual eu já havia escapado
Os anos passam e as conversas são sempre as mesmas na prisão
Crimes mentais e os copos sempre cheios pela madrugada
Afloram tatuagens e desejos de um outro amanhecer
Não há escapatória e eu continuo a suar pelo caminho
Ninguém compreende a dificuldade que tenho para levantar
Existem amarras invisíveis que me prendem como elásticos
E seus ruídos silenciosos pelas paredes do meu quarto
Aquelas velhas lembranças que me perseguem no escuro...


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Sense8 - Uma análise

Não há laços que nos unam.
Não há conexões que nos façam ser/ver além de nós mesmos.

A genial série lançada este ano pela Netflix, Sense8, é um reflexo utópico e um tanto onírico da vida desconectada que vivemos nestes tempos. Idealizada e dirigida pelos irmãos Wachowski (trilogia Matrix), a trama conta a história de oito pessoas espalhadas pelo mundo que aos poucos vão descobrindo que estão ligados psiquicamente. Diferentes culturas e costumes, que de repente, percebem-se trocando experiências com desconhecidos até então. Os indivíduos começam a experimentar as sensações uns dos outros, se veem, se sentem, sentem o ambiente em que o outro se encontra...

Destoando e ao mesmo tempo uma maneira de atentar que nós humanos não somos uma ilha, a série mostra que nossas ações e escolhas podem afetar outros que estão ao nosso redor. Nossas sentimentos mais secretos, nossas emoções públicas, nossas atitudes ou nossas recusas, tudo irá se propagar e refletir em nós mesmo. Não estamos sós neste mundo e somos tão deslocados e isolados quanto pensamos.

Isso tudo é na ficção saída da mente dos irmãos W. mas e na vida real? O que acontece com as pessoas? Por que não conexões tão fortes a ponto de unir as pessoas em pensamento e sentimentos mútuos? Talvez porque vivemos em tempo onde tudo é tão 'globalizado' que nos tornamos impotentes de criar laços verdadeiramente duradouros, pois tudo é imediato, rápido e mutável. As pessoas vivem como pressa, correndo para algum lugar qualquer, ainda que não seja importante. Compromissos diários, atividades diárias, sem ao menos parar para olhar nos olhos dos outros... Não há laços que nos unam!

Todos buscamos um outro para que possamos ter paz, procuramos nos outros a paz e a certeza de que as coisas irão ser boas, mas nem ao menos sabemos o que queremos, seria uma busca vã por algo que não entendemos? Ou apenas uma placebo para que possamos continuar vivos, ainda que nos enganando propositalmente? Não temos amigos, não temos amores, quiçá temos familiares... Estamos bloqueados e nos dividir e aceitar uma aproximação com o outro, ainda com toda tecnologia que nos deixa ligados 24/7 com o mundo todo, não há conexões que nos façam ser/ver além de nós mesmos!

Talvez a série Sense8 seja a primeira deste estilo, é uma sci-fi com uma 'pegada' sentimentalista que cria esse drama contemporâneo que está fascinando milhões pelo mundo. A cada episódio em que a história vai se aprofundando nos oito 'sensates' protagonistas e suas viagens mentais, vamos percebendo o quão somos frágeis em nossa singularidade ao mesmo tempo que somos incompletos daquilo que nos falta. Uma trilha sonora impressionante com hits e sons que nos tocam a todos, além da fotografia e das cenas impecáveis que nos faz estar ali junto com os oito, como se fôssemos um deles. A série nos faz querer ser um sensate, ser um grupo.

Chegará o dia em que estaremos ligados em outros a ponto de senti-los? Chegaremos ao tempo em que não seremos um, seremos mais? Um dia que não serei só eu, serei nós!?

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Dia 31 - Fim

Eu me rendi da última vez
Fazendo tudo  o que um dia eu prometi não repetir
As luzes se apagaram e eu perdi minha liberdade
Estive ao seu lado enquanto você não estava ao meu
Disse para você aquilo que eu gostaria de ouvir
Mas houve silêncio...
Mas foi outra experiência guardada no peito
Não precisava terminar, mas o fim chegou sem demora
E ainda que eu não entenda, nem acredite
Agradeço por um dia ter cruzado seu caminho
Nesses dias de aceitação, negação e absolvição própria
Pude sentir as dores reais de quem compreende essa vida
Os mistérios do mundo não são misteriosos para mim
E diferente de você eu sei o que acontecerá no futuro

Então esse é o fim...

terça-feira, 14 de julho de 2015

Dia 30 - Armado e protegido

Mais uma vez (este é o começo)
Das peças quebradas surge o novo
A ave caída se ergue aos céus
O crepúsculo dá origem a noite estrelada

Mais uma vez (este é o começo)
Os olhos antes fechados
vislumbram um novo amanhecer
As lágrimas secaram (e agora somos livres)

Mais uma vez (este é o começo)
As orações ecoam pelo quarto
E agora a revolução faz sentido
o caminho é novo e instigante

Eu permaneci aqui desde que você me deixou
Buscando por outra pele e outro olhar
Agora é a vez dos esquecidos
E ninguém pode me impedir de voar

Mais uma vez (este é o começo)
Outros céus para alcançar
Armado e protegido contra tudo
Armado e protegido contra você
Estive cansado por longos dias de batalha interna
Mas agora abaixei minhas armas
e estou preparado para me defender...
Armado e protegido para a vida

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Dia 29 - A golpes de punhais

Não mais direi palavras raras
para que o vento as carregue pata longe
Esvazio-me delas a cada estação
restando algumas poucas para me servir
Não posso ser tão tolo
a ponto de me matar aos poucos
A cada luar um punhal na alma
A cada olhar um punhal no coração

Não me diga suas mentiras
eu não vou mais acreditar nelas
mesmo que pareçam tão verdadeiras
Não posso permitir
passar-me por tolo na frente do bar
na frente de meus pares
A cada cigarro um punhal no peito
A cada copo um punhal na dignidade

Não aceitarei menos que o tudo
para que eu possa sentir a verdade
e não desejar o fim do túnel...

domingo, 12 de julho de 2015

Dia 28 - Maktub

Se eu tiver que te salvar
no meio dessa multidão de problemas
como vou saber (verdadeiramente)
o momento de me aproximar?

As pessoas desconhecem
todo o caminho que devemos percorrer

As pessoas não compreendem
que certas coisas estão escritas...

Se eu tiver que correr
e te alcançar no último momento
dê-me a sua mão (eu te protejo)
não o deixarei mais sozinho na chuva

As pessoas não enxergam
aquilo que ainda está por vir

As pessoas não sentem
o que é verdadeiro, apenas o momento

Se eu tiver que esperar
não terei pressa
Vou acalmar meu espírito
e o que tiver que ser vai ser
desta vez ou em outra...
Porque tudo está escrito.