segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Carnis Levale - Um devaneio...

O Carrum Navalis passou pela via, espalhando no ar o som dos cânticos... As pessoas bebiam destilados e fermentados até não aguentarem mais... Os povos entregaram-se aos prazeres da carne, dos pecados e dos excessos... Sinto-me embriagado e extasiado... Não existe na história momento de maior celebração da vida do que nos dias de festejos à colheita e à fertilidade da terra, ora esquecida, mas ainda no âmago daqueles que inconscientes propagam a devoção a Ísis e ao Apis, a Naita e Mira, a Astarteia, a Grande Mãe Cibele e a Dionísio... em qualquer que seja a terra, Sáceas, Bacanais ou Dionisíacas, os festivais hedonistas acontecem... Sinto-me embriagado e extasiado...

Cantemos, dancemos, saudemos a transformação... Sinto-me embriagado e extasiado... Quaisquer que sejam suas crenças ou sua motivação, é válido desapegar-se na tentativa de superar a si mesmo... Atravessar os limites de sua própria força e daquilo que te separa de um objetivo... Sinto-me embriagado e extasiado... Ouça as canções que falam de superação e entregue-se à insanidade momentânea...

No cortejo de Dionísio, clamaremos a Comos para que não seja um caminho de tristezas... Sinto-me embriagado e extasiado... Que haja alguém sábio como Sileno para nos guiar... e que Momos nos ensine as ironias da vida, que ríamos de nós mesmos e de nossas falhas... Sejamos pagão e aceitemos a Roda, os ciclos nos mantêm em equilíbrio com universo e conosco...   Sinto-me embriagado e extasiado...

sábado, 6 de fevereiro de 2016

37/366 - Deitado no chão

Em chão de alegrias
sou mais minhas fantasias
em estrada de louco
sou apenas mais um
que se faz de santo

Em chão de folhas secas
sou mais ficar deitado
não vou me levantar daqui
para te agradecer
vou continuar deitado

Em chão de pedras da lua
sou mais a boca tua
até o amanhecer
continuarei sonhando
com minhas ilusões...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

34/366 - Haicai 17

Ninguém me conhece aqui
Eu não me conheço aqui
(Primeiro dia de aula)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

33/366 - Lughnasadh

Ouça o som e se entregue
Ouça o som e se entregue
Dance alegre ao anoitecer
Dance alegre até se perder

Ouça o som dos cânticos antigos

Sinta o vento e se liberte
Sinta o vento e se liberte
Dance alegre ao anoitecer
Dance alegre até se perder

Ouça as criaturas que encantam

Cante comigo e se eleve
Cante comigo e se eleve
Dance alegre ao anoitecer
Dance alegre até se perder

Saúde a roda em que dançamos
Saúde a roda em que cantamos
Saúde a roda em que vivemos
Saúde a roda em que rodamos

Ouça o som
Dance alegre
Sinta o vento
Dance alegre
E saúde aqueles que encantam

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

26/366 - Nodus Tollens

Talvez eu não saiba,
ou já tenha me esquecido
- um sonho ou um vislumbre -
já não sei dizer

Talvez eu não tenha entendido
mas já não sei dizer
meu mapa amassado
jogado em canto do quarto
Já não sei por onde ir

Para onde irei?
Não mais sei qual meu caminho
nem sei se já tive um
Talvez eu ainda espero uma direção

Por que devemos ter um roteiro?
Talvez eu já o tenha seguido
por tempo demais
Agora é tempo de novos planos
- ou hora de refazê-los -

Talvez eu não me demore
nesses dias que se passam rápidos demais
Talvez seja hora de desacelerar
para que alguma coisa faça sentido
(ou não)

Talvez eu tenha me perdido
ou encontrado o ponto de interrogação.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

25/366 - Falas

Eles falam sobre mim
mas suas palavras são vazias
Eles falam sobre mim
de uma maneira cega e surda
Eles falam de mim
sem ao menos saber
quem eu realmente sou

Eles se preocupam comigo
apenas quando estou bem
Eles me procuram
apenas quando precisam de mim
Eles falam de mim
como se eu não estivesse aqui

Toda palavra dita sobre mim
não me atinge da maneira correta
Elas me afetam e me ferem
mais do que seus olhares confusos

Eles falam sobre mim
como se eu não me importasse
Eles apontam para mim
como se eu não tivesse me sacrificado
Eles me atacam
como se eu não fosse morrer

domingo, 24 de janeiro de 2016

24/366 - Isolamento

- O melhor dia é sempre aquele que te faz refletir...

Escondo-me do sol, fujo de todos
Permaneço isolado, esquecendo-me de tudo
Não olhem para mim agora
Estou tratando meus traumas

Desligo-me da vida, tento ser esquecido
Em minha mente fluem os pensamentos
O agora não importa mais
Os dias viram noites e as estrelas não aparecem
É um período esquisito...

Perco-me nessa escuridão que se alastra
criando-a ou buscando-a eu permaneço
Não vejo a saída mesmo procurando
E ainda que eu não procure por ela

A que rosto tocar - eu digo adeus
A que nome chamar - eu digo adeus
A quem olhar - eu digo adeus
A quem atender - eu digo adeus
Que sonho devo sonhar - eu digo adeus